ESCURO (PARTE 2)

A história, sem grandes novidades, se repetiu. Mais uma vez o tempo se encarregou de levar, trazer, matar e fazer viver. Eu pintei as paredes do meu quarto, saí da velha zona de conforto. Sou um amontoado de rascunhos esquecidos na gaveta, mas não mais descontente.

Toda segunda-feira, sobre aquela velha ponte ou da janela do meu quarto, vejo o céu um pouco mais cinza. 

É que eu tenho andado sem esperar por muita coisa. Tenho escrito menos. Tenho pensado menos. Na verdade, espero por nada e tudo o que acontece encaro como uma boa conquista.

Eu tenho levado da melhor forma esses dias escuros, de frio. Que são os mesmos dias em que esqueço como completar o vazio.

— Alan Vieira

Sobre a vida, pouco sei. Sobre sorrisos, sou colecionador.

Beltort

trenier:

Vou te sequestrar sem pedir recompensa. Vou ligar pr’os seus pais e revelar o endereço, o endereço de um lugar muito longe de nós. E que seja assim, só eu e você. E que seja assim, nossa casa, nossa vida, nossos momentos a sós. 

— Ana C. Reinert

Viver bem vai muito além do salário que tu ganha, ou se tu ganha um. É algo que independe das etiquetas acumuladas no teu guarda-roupa. Viver bem não é uma conquista daqueles que se baseiam na história de outros, nem daqueles que fazem de tudo pra que sejam lembrados. Tu pode escolher ir por qualquer caminho nessa vida, e fazer o que quer que seja com ela, menos deixar que ela passe sem te mostrar o que tu realmente nasceu pra fazer. E quando tu ver que teus pés caminham em direção a isso, todo e qualquer clichê perderá o sentido.

Alan Vieira

Não tem incentivo maior do que alguém te dizer que tu não é capaz.

Lucas Silveira

Que ninguém siga a vida indo contra o próprio sonho.

Alan Vieira

Amanhecerá e não teremos mais como seguir. Não temos ida nem volta, guria. Vagamos por uma rodovia abandonada, fruto da nossa ilusão. Vivemos esperando pelo dia em que essas ruas deixarão de se perder, e que o nosso destino voltará a se encontrar. Enquanto tudo o que temos feito é chover. Tu segue tua vida pelo calçamento, ainda que na contramão. E tudo o que sabemos é que ninguém mais sabe como lidar. Nem como enfrentar a solidão.

Alan Vieira

Sem título e sem final.

Vestígios do que fomos é tudo o que encontro nas lembranças que habitam esse quarto vazio. Penso em pintar as paredes e tentar esconder o teu nome rabiscado. Penso em mudar de casa, mas ainda não quero ir para muito longe.

Eu nunca te trouxe aqui, é verdade. Não te apresentei formalmente como a minha namorada. Não te comprei um anel, não mandei flores. Mas tu foi a guria que mais mexeu comigo. E devemos tudo a essa tua imensa simplicidade.

Ora simples, ora complexa. Seja naquela festa de um ano atrás, onde nos conhecemos, ou nas calçadas que costumávamos nos encontrar, tu nunca esteve diferente. Já eu, do auge da minha falta de habilidade em enfrentar a vida sozinho, não cheguei muito longe. 

Tentei conhecer outras gurias, colecionar novas histórias, mas não adiantou. E de nada ajudou. Agora, depois de certo tempo, volto a te escrever. Imaginando se tu vai lembrar. Se vai querer ler. E se o nosso velho sofá ainda vai nos reaproximar.

— Alan Vieira

Ela queria encontrar o amor. Ele comprava mais uma cerveja. Ela o avistou de longe. Ele já não via com clareza. Ela se aproximou. Ele se ligou. E se cumprimentaram. E se completaram. E se apaixonaram.

Alan Vieira

Sobre uma guria de areia.

Ela mantinha todo o mundo sobre a palma da mão e acreditava que todos em volta eram de sentimentos leais. Pedia uma dose de companhia e recebia tudo o que queria ouvir.

Sua falta de verdade era pouco notada, mas ninguém se aprofundava, afinal, não queriam encontrar motivos para mantê-la afastada. Cabia num copo que transbordava infelicidade e o preenchia com uma história inventada.

Quebrou em pedaços jarras que mais lhe serviam felicidade e, ainda assim, continuou com sua visão desajeitada. Fazia chover e não cultivou nada que a pudesse proteger. Era o motivo do céu trovejar e, temo dizer, não vai encontrar mais nada que a faça parar.

— Alan Vieira

(Source: octopussoir-)

Passou, como tudo passa. E algo em tudo o que passa, fica.

Scracho

Acontece e muito por aí de se conhecer muita gente, mas na verdade não conhecer ninguém. Eu explico. É difícil de encontrar gente que pense por sí e que realmente tenha um peso significativo na tua vida. Todos sabemos que isso não acontece o tempo todo e quando acontece é quase mágica, não fosse somente aquilo ali na tua frente: a realidade. Eu fico feliz com isso. E aqui eu falo mesmo como se fosse a bolachinha recheada do pacote. Me dou a liberdade aliás, de criar um pacote só meu e foda-se. Vai dizer que você não se sente assim? Passando muito tempo com as mesmas pessoas, a gente acaba nivelando por baixo pra se encaixar. Isso faz com que as coisas se tornem um saco, sabe? Rir por conveniência. Deixar de criticar por medo de criar alguma fissura nesse “relacionamento”.

Érico Junqueira

Se soubéssemos que fora nosso último encontro, aqueles poucos minutos teriam durado mais? A falta do que falar seria diferente, se prevêssemos que aquela fora nossa última conversa? Sei que sigo falhando na tentativa de eternizar o que não vai mais acontecer. É que eu aprendi que vivo errando por ter medo de sempre perder.

Alan Vieira